Publicado em 17 de março de 2014 às 15:04

Recibos de cartão podem contaminar



Sabe aqueles recibos de cartões de crédito e débito que tanto usamos na hora das compras? Uma substância química presente neles, o Bisfenol A (BPA) pode causar infertilidade, aumentar o risco de cânceres como o de próstata e o de mama, levar à obesidade e elevar as chances de síndrome de Down em um feto.


A conclusão consta em um estudo divulgado na primeira semana de março pelo The Journal of the American Medical Association (Jama), um dos mais importantes do mundo na área médica.


Manusear esse tipo de comprovante, impressos em um material chamado de papel térmico, pode levar a uma contaminação pelo composto químico bisfenol, também comumente encontrado em plásticos rígidos e no revestimento de latas de alumínio que acondicionam alimentos. Em 2011, o Brasil proibiu a comercialização de mamadeiras com a presença da substância, decisão que passou a valer em 2012 no país.



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A ligação do bisfenol A com os papéis térmicos já era conhecida, mas havia poucos estudos científicos específicos que pudessem investigar a fundo essa relação. Na nova pesquisa, realizada pelo Hospital Infantil Cincinnati, nos Estados Unidos, 24 voluntários foram orientados a segurar recibos impressos em papel térmico durante duas horas seguidas.


Eles fizeram essa experiência duas vezes: com e sem luvas nitrílicas, e tiveram os níveis de bisfenol A medidos por exames de laboratório. Antes de segurar os papéis, 83% dos voluntários apresentaram bisfenol A na urina. Após o contato com os comprovantes sem o uso de luvas, o composto foi detectado na urina de todos os voluntários. O nível de bisfenol A não sofreu alterações quando os participantes seguraram os recibos usando luvas.


Fácil liberação
O BPA é uma molécula muito instável, que pode ser liberada facilmente dos produtos (com mudanças de temperatura, por exemplo). Segundo o estudo, ?o papel térmico tem um revestimento que é sensível ao calor, o qual é utilizado no processo de impressão sobre o papel, transferindo o composto para a pele, com o manuseio pelo usuário?.


Coordenadora do estudo, Shelley Ehrlich afirmou que ?o contágio pelos papéis térmicos é algo pouco estudado e que pode atingir sobretudo pessoas que têm contato frequente com os recibos, como as que trabalham em postos de gasolina, supermercados e lojas?.

Luvas nitrílicas
No organismo, o BPA se comporta de modo semelhante ao hormônio estrogênio, sendo por isso conhecido como um disruptor hormonal. Por desregular o sistema endocrinológico, já foi associado, em estudos anteriores, a problemas de saúde que são influenciados por esse mecanismo: câncer de próstata, de mama e de ovário – além de obesidade e infertilidade.


Segundo a pesquisadora, ainda não é possível saber quais são as consequências clínicas do contato com esses papéis, mas ela sugere que pessoas que manuseiam o material frequentemente usem luvas nitrílicas sempre que possível.
10 dados que você precisa saber sobre o BPA:


1) O bisfenol A também pode ser encontrado no revestimento interno delatas que condicionam os alimentos, como as de refrigerante, leite em pó ou comidas enlatadas;

2) Somente os produtos plásticos que possuem policarbonato em sua constituição podem ter o bisfenol A. Aqueles que são formados por polipropileno não possuem a substância;

3) Como o bisfenol A é uma molécula muito instável, mudanças de temperatura, em especial quando o produto é levado ao congelador ou ao micro-ondas, aceleram o processo de contaminação. Embalagens amassadas, rompidas, danificadas ou velhas também devem ser evitadas ou jogadas no lixo. A contaminação também pode acontecer com mudanças de temperatura mais tímidas e danos menores;

4) Embora a contaminação de alimentos por BPA seja a principal causa da exposição ao composto, é preciso também evitar a utilização de brinquedos com BPA para crianças muito pequenas, que costumam levar tudo à boca;

5) Procure um símbolo ”Bisfenol free” ou “BPA free” no rótulo do produto: ele indica a ausência do composto. No Brasil, porém, os produtores não são obrigados a imprimir um selo nos produtos avisando os consumidores se há ou não BPA na composição das embalagens plásticas. É possível saber disso ao olhar o símbolo da reciclagem no rótulo: se dentro dele houver os números 3 ou 7, pode ser que tenha BPA no produto. Esses números fazem parte de um código de reciclagem e não significam presença de BPA (mas todos os produtos com BPA pertencem a alguma dessas categorias). Se restar alguma dúvida, escolha as mamadeiras de vidro;

6) De acordo com a Anvisa, o limite estabelecido se refere à quantidade de BPA que é possível migrar de um produto para o alimento, e não a quantidade de Bisfenol A presente no produto. Esse valor, no Brasil, é de 0,6 miligramas por quilo, independente do tipo de embalagem. Entretanto, as indústrias não são obrigadas a especificar seus números de migração específica nas embalagens, uma vez que “a migração depende de outros fatores, como condições de uso e de armazenamento do produto e características dos alimentos”, segundo a própria Anvisa;

7) Sabe-se que ele é rapidamente eliminado pela urina, mas é possível que ele se acumule no tecido gorduroso, como ocorre com outros compostos que também são desreguladores endócrinos;

8) Se puder, substitua mamadeiras, copos, pratos e recipientes para guardar alimentos de plástico por aqueles que que sejam feitos de vidro, madeira, porcelana, aço ou metal. Ao comprar qualquer produto, especialmente para crianças, busque informações nos rótulos das embalagens, como o selo “bisfenol free”. Não compre brinquedos ou qualquer tipo de produto que sejam de má qualidade, principalmente para crianças pequenas. Se tiver em casa utensílios de cozinha de plástico, evite colocá-los no micro-ondas ou mesmo congelar alimentos nesses recipientes. Produtos de plástico velhos, danificados ou vencidos devem ser jogados no lixo;

9) Pesquisas mostram sérios problemas com a exposição ao Bisfenol A, como predisposição para o desenvolvimento de tumores, infertilidade, câncer de mama e de intestino, puberdade precoce em meninas, obesidade e Síndrome de Down e de hiperatividade em crianças. O agravante do BPA é o seu efeito de transgeração. Por exemplo, uma mulher na vida fértil exposta ao bisfenol A pode transmitir doenças causadas pelo composto até a terceira geração;

10) Até hoje, mais de três mil estudos sobre o assunto já foram publicados ao redor do mundo. Porém, nos seres humanos, algumas pesquisas científicas apresentaram resultados controversos. Isso se deve ao fato de estarmos expostos a vários outros desreguladores endócrinos simultaneamente e não sabermos como eles agem junto ao BPA.


Fonte: EcoDesenvolvimento






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